O ano de 2026 já se apresenta como um dos mais decisivos da história recente do Brasil. Dentro e fora dos gramados, o país viverá disputas que vão muito além do resultado imediato. Futebol e política caminham lado a lado em um cenário marcado por mudanças, pressão por resultados e busca por títulos históricos.
Seja com a bola rolando na Copa do Mundo ou com o voto nas urnas, o Brasil entra em campo para decidir que rumo quer seguir.
Futebol: a Seleção em busca de reconexão com a história
A Copa do Mundo de 2026 representa mais do que uma competição esportiva. Ela simboliza um momento de reconstrução profunda do futebol brasileiro. O país chega ao torneio após mudanças importantes no comando técnico e também na estrutura administrativa do futebol nacional.
Além da troca no banco de reservas, o Brasil viveu mudança na presidência da Confederação Brasileira de Futebol, com a chegada de um novo presidente da CBF, sinalizando uma tentativa de reorganização institucional e de rompimento com práticas do passado. A expectativa é alinhar gestão, planejamento e desempenho esportivo em um novo ciclo.
Pela primeira vez em sua história, a Seleção Brasileira aposta em um técnico estrangeiro, um nome vencedor, campeão por onde passou, escolhido não apenas pelo currículo, mas pela promessa de modernização, disciplina tática e mentalidade competitiva global. Trata-se de uma decisão que quebra tradições, mas reflete um Brasil disposto a mudar para tentar voltar ao topo do futebol mundial.
E a cobrança é inevitável. Afinal, no futebol, o país carrega um mantra que atravessa gerações:
“Todo mundo tenta, mas só o Brasil é penta!”
A pressão existe porque a história permite. O desafio agora é transformar esse passado glorioso em combustível — e não em peso.
Política: a disputa por mais um “título” no Planalto
Fora das quatro linhas, 2026 também será decisivo na política brasileira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entra em campo buscando algo inédito em sua trajetória: conquistar um quarto mandato presidencial, o chamado “tetra” político.
Caso vença, Lula se tornará o presidente eleito pelo voto popular com mais “títulos” da história republicana do país. Ao fim de um eventual quarto mandato, somaria 12 anos à frente do Executivo, ficando atrás apenas de um nome central da história nacional: Getúlio Vargas.
No plano partidário, a disputa também carrega forte peso simbólico. O Partido dos Trabalhadores entra em 2026 mirando o chamado “hexa” eleitoral — marca que poderá ser alcançada caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dispute e vença a eleição. O feito somaria uma eventual quarta vitória de Lula às duas conquistas da ex-presidente Dilma Rousseff, que teve o segundo mandato interrompido pelo processo de impeachment, consolidando um dos ciclos de poder mais longos da história da democracia brasileira.
A comparação histórica é inevitável. Getúlio Vargas governou o Brasil por 19 anos, mas em um percurso singular: chegou ao poder pela Revolução de 1930, venceu eleições indiretas em 1934, decretou a ditadura do Estado Novo, que vigorou entre 1937 e 1945, e só retornou ao cargo pelo voto direto em 1950. Seu governo terminou de forma trágica, com o suicídio em 1954, após forte pressão da oposição.
Lula, assim como Vargas, já viveu o retorno ao poder. Não foi o único presidente a sair, voltar a disputar eleições e vencer, mas pode se tornar o primeiro da Nova República a transformar esse retorno em hegemonia eleitoral prolongada, marcada por sucessivas vitórias no voto popular.
Entre a bola e a urna, o Brasil decide
Em 2026, o Brasil se vê diante de dois espelhos.
No futebol, tenta provar que ainda é o maior do mundo.
Na política, decide se aposta na continuidade ou na mudança de rumos.
Ambos os campos lidam com passado glorioso, cobranças intensas e a necessidade urgente de resultados. Em ambos, a pergunta é a mesma: até onde a história garante vitórias futuras?
O ano promete emoção, tensão, disputas duras e decisões que ficarão marcadas por décadas. Seja com a bola nos pés ou com o voto na urna, 2026 será o ano em que o Brasil entra em campo para decidir seu futuro.
Na política, o país pode até estar dividido; no futebol, porém, o Brasil segue sendo um só — vestindo a mesma camisa, cantando o mesmo hino e torcendo junto.
G4TV Bahia
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