“Otto patamar” da política: indiretas, música e disputa pelo poder

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Se antes as brigas políticas ficavam só nos discursos, entrevistas e postagens nas redes sociais, agora o negócio subiu o tom — e ganhou trilha sonora e linguagem de “fofoquinha de bar“. Em vez de fala direta, tem político mandando recado em forma de letra de música. É indireta pra cá, refrão pra lá, tudo pra cutucar adversário, ex-aliado ou até amigo que virou desafeto.

Nas últimas semanas isso ficou ainda mais claro na Bahia. A recente ruptura entre o senador Otto Alencar, presidente estadual do PSD, e o senador Angelo Coronel, que acabou saindo do partido, virou exemplo perfeito dessa nova moda de ‘política com fundo musical’ — mesmo sem ninguém admitir abertamente.

Os dois, que já foram aliados e compartilham história política juntos — Alencar chegou a dizer que vive um dos momentos mais difíceis da sua vida com o rompimento — agora aparecem na base da política baiana em campos diferentes e deixando a galera especular se é amizade que acabou, traição ou simplesmente briga pelo poder.

E é aqui que a coisa fica engraçada e também estranha: enquanto os dois lados evitam bate-boca direto, nas redes e rodas de conversa não faltam músicas de sofrência, sambinhas de recado e até forrões com versos que “calham demais” com o momento político. Muita gente comenta que parece que cada refrão virou indireta pra alguém específico — seja para lembrar amigos de antigas alianças, seja pra insinuar falsa lealdade ou pedir resposta sem citar nomes.

Nas rodas de conversa, nas redes sociais e até nos grupos de WhatsApp, a pergunta é uma só:
“Essa música foi pra quem?”

E o mais curioso é que ninguém assume. Oficialmente, é só “gosto musical” ou “reflexão pessoal”. Mas nos bastidores, todo mundo sabe que não é bem assim. A música virou arma política disfarçada de playlists — usada pra atacar sem dar nome, pra criticar sem citar, pra provocar sem assumir.

O problema é que, no meio dessa troca de indiretas cantadas, quem acaba ficando confuso é o povo. Em vez de debate claro, proposta e solução, tem rima atravessada, verso venenoso e refrão com gosto de recado mal resolvido.

“Política não é para amador. A política de hoje é outro patamar.”

G4TV Bahia

Imagem: Redes sociais

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