Existe uma frase antiga que diz: “Quer conhecer alguém? Dê poder.” E ela nunca fez tanto sentido.
Na política, isso fica ainda mais evidente. Vereadores, prefeitos, secretários, líderes comunitários — quando recebem o voto e a confiança do povo, passam a ter nas mãos algo muito maior do que um cargo: passam a ter poder de decisão, influência e responsabilidade sobre a vida de muita gente.
Mas nem todo mundo está preparado para isso.
Tem gente que, quando assume uma função pública, se perde. Não sabe o que faz, não entende o peso da caneta que segura. Age por impulso, por vaidade, por interesse pequeno. Fica tonto com o cargo, como se tivesse subido rápido demais e esquecido de onde veio.
Outros deixam o poder subir à cabeça. Esquecem que foram eleitos para servir e passam a agir como se fossem donos do município, da estrutura, das pessoas. Confundem autoridade com arrogância. Trocam o diálogo pela imposição. Acham que o cargo é eterno.
Mas não é.
A vida é uma roda gigante. Uma hora você está lá em cima, com microfone na mão, gabinete cheio, gente chamando de “doutor”, “excelência”. Na outra, pode estar fora do mandato, enfrentando críticas, silêncio e até o esquecimento.
Tudo passa.
O poder é passageiro. O cargo é temporário. O mandato tem prazo. O que fica é a reputação. É a forma como você tratou as pessoas quando tinha autoridade. É a humildade (ou a falta dela). É a marca que deixou na cidade.
A política precisa de preparo, equilíbrio e consciência. Porque poder sem maturidade vira problema. Poder sem humildade vira soberba. Poder sem responsabilidade vira prejuízo coletivo.
No fim das contas, o poder não transforma ninguém — ele apenas revela quem a pessoa sempre foi.
E a história, mais cedo ou mais tarde, coloca cada um no seu devido lugar.
G4TV Bahia
Imagem: Google