A exibição de um vídeo gerado por inteligência artificial simulando um pronunciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), durante a convenção nacional do Partido Liberal realizada no último sábado (25), reacendeu o debate sobre os limites do uso da tecnologia nas campanhas eleitorais.
A peça foi apresentada durante o evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. No vídeo, a imagem e a voz de Jair Bolsonaro foram recriadas por inteligência artificial para declarar apoio ao filho.
Embora o conteúdo exibisse, logo no início, um aviso informando que se tratava de uma “simulação feita com inteligência artificial”, especialistas destacam que a simples identificação do material não é suficiente para afastar possíveis restrições previstas na legislação eleitoral quando o conteúdo é classificado como um deepfake.
Em fevereiro de 2024, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou a Resolução nº 23.732, que alterou a Resolução nº 23.610/2019 e estabeleceu regras específicas para o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral.
A norma define inteligência artificial como um sistema computacional desenvolvido com base em lógica, representação do conhecimento ou aprendizagem de máquina. Já o chamado “conteúdo sintético” engloba imagens, vídeos, áudios, textos ou objetos virtuais gerados ou significativamente modificados por tecnologias digitais, incluindo a própria inteligência artificial.
As novas regras foram criadas para enfrentar os desafios trazidos pela rápida evolução das ferramentas de IA, especialmente diante da capacidade de produzir vídeos, áudios e imagens altamente realistas, capazes de influenciar a opinião pública durante o período eleitoral.
O tema deve ganhar ainda mais relevância nas eleições de 2026, marcadas pelo avanço das tecnologias de inteligência artificial e pelo aumento da circulação de conteúdos sintéticos nas redes sociais e plataformas digitais.
G4TV Bahia
Imagem: Google