O bispo Edir Macedo, fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus, construiu ao longo de décadas um dos maiores conglomerados ligados à comunicação, religião e setor financeiro do Brasil. Agora, porém, uma crise envolvendo o Banco Digimais, instituição controlada por empresas ligadas ao grupo, colocou parte desse império sob forte pressão.
Segundo a Forbes, a fortuna de Edir Macedo e sua família é estimada em US$ 2 bilhões, valor que gira em torno de R$ 10 bilhões, dependendo da cotação do dólar. O bispo aparece entre os bilionários brasileiros e tem sua riqueza associada principalmente aos negócios de comunicação e à participação no setor financeiro.
UM CONGLOMERADO QUE VAI ALÉM DA RELIGIÃO
Além da Igreja Universal, fundada em 1977 e presente em mais de 100 países, Macedo é associado ao controle de um amplo grupo empresarial, que inclui a Record e outros negócios ligados à comunicação e ao sistema financeiro. A própria Forbes aponta sua participação majoritária no Banco Digimais.
O grupo também mantém forte influência política por meio de sua histórica ligação com o Republicanos. Dados divulgados recentemente apontam que a legenda possui 42 deputados federais, dos quais 17 têm vínculos com a Universal, entre bispos, pastores, obreiros e outras figuras ligadas à instituição religiosa.
CRISE NO DIGIMAIS E PRAZO ATÉ 15 DE SETEMBRO
O maior problema, neste momento, está no Banco Digimais.
De acordo com informações publicadas nos últimos dias, a instituição ganhou prazo até 15 de setembro para realizar um aporte de aproximadamente R$ 2 bilhões, medida considerada necessária para recompor sua situação financeira, evitar uma possível liquidação e manter as negociações envolvendo uma possível aquisição pelo BTG Pactual.
O prazo anterior teria vencido em 14 de agosto. Agora, a capitalização passou a ser decisiva para o futuro da instituição. A negociação com o BTG, anunciada inicialmente em abril, ainda depende de condições regulatórias e de outras etapas para ser efetivamente concluída.
APORTE DA RECORD JÁ HAVIA SIDO NOTICIADO
A crise financeira do Digimais já havia levado o grupo controlador a buscar recursos para reforçar o caixa da instituição.
Uma reportagem publicada em junho informou que o banco recebeu um aporte ligado ao Grupo Record e chegou a ter cerca de R$ 2 bilhões em caixa, dentro das negociações que envolviam a venda da instituição e tratativas relacionadas ao Fundo Garantidor de Créditos.
A necessidade de novos recursos, entretanto, demonstra que a situação continua exigindo uma solução financeira robusta.
OPERAÇÃO MIRAGEM
Em junho deste ano, a Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem, tendo o Banco Digimais como alvo das investigações.
Segundo informações oficiais divulgadas pela Agência Brasil, a investigação foi baseada, entre outros elementos, em relatórios do Banco Central e apura suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
A PF informou que os investigados são suspeitos de manipular demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira da instituição, aparentar solvência perante os órgãos de controle e viabilizar operações consideradas irregulares.
A Justiça autorizou nove mandados de busca e apreensão, além da quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados e do bloqueio de bens e valores de até R$ 670 milhões.
As investigações envolvem suspeitas de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e operações de crédito supostamente irregulares. É importante destacar que se trata de uma investigação em andamento, sem conclusão definitiva de responsabilidade criminal dos envolvidos.
ROMBO BILIONÁRIO E FUTURO INCERTO
Reportagens sobre o caso apontam que a situação financeira do Digimais envolve um rombo estimado em bilhões de reais e operações de crédito sob questionamento. A deterioração financeira do banco teria levado à busca por uma solução envolvendo novos aportes e uma possível transferência de controle.
O ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, assumiu o comando executivo do Digimais no início de 2026 com a missão de reorganizar a instituição e conduzir o processo de venda.
Até o momento, não encontrei uma confirmação oficial confiável de que Bendine tenha deixado o cargo, como apontado no texto inicial. Por isso, essa informação foi retirada da matéria para evitar a publicação de um dado ainda não confirmado.
O IMPÉRIO E A MAIOR CRISE FINANCEIRA
A situação chama atenção pelo tamanho do conglomerado ligado a Edir Macedo. Um líder religioso que se tornou bilionário, construiu uma das maiores estruturas de comunicação do país, mantém presença internacional por meio da Igreja Universal e possui influência indireta ou histórica também no cenário político brasileiro.
Agora, o futuro do Banco Digimais se tornou o centro de uma crise que envolve investigações da Polícia Federal, acompanhamento do Banco Central, necessidade de capitalização bilionária e negociações com o BTG Pactual.
O prazo até 15 de setembro poderá ser decisivo para determinar os próximos capítulos dessa história. Se os recursos necessários forem levantados e as negociações avançarem, o Digimais poderá ganhar uma nova chance. Caso contrário, a possibilidade de liquidação ou de uma solução alternativa para a instituição poderá ganhar força.
O caso segue em desenvolvimento e deverá ter novos desdobramentos nos próximos dias.
G4TV Bahia
Imagem: Redes sociais